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Caindo no amor?!?

Fevereiro 18, 2008

Toronto

Apaixonar em inglês é “to fall in love”. Numa tradução literal, isso seria algo como ’cair no amor’. Em francês, “tomber amoureux”, onde “tomber” também é ‘cair’.

Em português não tem nada de cair no amor, seja cair de cabeça, de barriga, ou numa piscina sem água. É simplesmente “apaixonar”, “se apaixonar”.

Então quer dizer que nos países onde se fala o português, a paixão é menos dolorosa do que naqueles onde se fala inglês ou francês? Não sei, acho que é um sentimento universal, mas a conotação do “cair” cai como uma luva.

Tanta gente que se apaixona e fica cega, ou vê tudo de forma distorcida. Faz coisas que ela não faria em condições normais. Fala coisas de deixar qualquer um constrangido. Pensa coisas que a mais fértil das mentes não conseguiria pensar. Sintomas comuns, e qualquer semelhança com narcóticos, álcool em excesso, dopping, não é mera coincidência. Paixão pode ser uma doença.

E faz mal ao corpo humano. A caixa torácica dói, dói muito, como se algo tivesse apertando o peito. As pálpebras tremem, lágrimas caem, a fome e o sono desaparecem, a atenção vai pro espaço, a cabeça dói. Sintomas terríveis!

Mas alguma coisa tem que ter de bom, já que o termo é visto de maneira tão romântica, tão fru-fru. O segredo está, adivinhem, no ’cair’. Tem que cair junto.

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Bonita e gostosa

Fevereiro 16, 2008

Woman

- Dizem que mulher gosta de dinheiro, e quem gosta de homem mesmo, é homem…

Dizem também que o culto ao corpo, a febre das academias, produtos diet, suplementos, anorexia, bulimia, saradisse, tudo isso foi invenção do mundo capitalista ocidental. Não tenho muita certeza disso, ja que o mundo clássico já cultuava os corpos masculinos. Deixemos essa discussão para uma mesa de bar.

O fato é que se você for gordinho, baixinho ou careca, vai ter muito mais dificuldade do que a média das bees do sindicato (veja dicionário do HM!) para arrumar um peguéti.

Eu nunca consegui pegar gente feia. E também nunca consegui ficar com alguém que, por mais que os amigos achassem a cereja do bolo, não me apetecia. Talvez porque o conteúdo talvez seja tão importante quanto a aparência e por mais que a aparência conte muito (querendo ou não, é a primeira coisa que notamos), ninguém aguenta ficar muito tempo com gente desinteressante (parodiando uma expressão de um colega de blog, “aquele tipo de pessoa que dá a sensação de segurar o xixi”).

Sou um tanto enjoado com relação a isso, confesso. É como andar pela praia de Ipanema e falar, “Passo”, “Tolero”, ”Passo”, “Never”, “Passo”, “Caso”. O primeiro filtro. O segundo é mais difícil, e geralmente depois de 5 minutos você dá uma de Donald Trump e demite a torcida do Flamengo.

E por fim, quando você realmente encontra uma pessoa interessante, que valha a pena, uma companhia agradável, inteligente, perspicaz, bem humorada, com gostos parecidos com os seus, essa pessoa acaba se tornando a sua ameega.

Acontece, bee.

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Scottish kiss

Fevereiro 15, 2008

Pipe

- Eu estava em Edimburgo, Escócia, naquela primavera chuvosa. Entrei num Starbucks – adoro cookies de macadâmia com café gelado e muito creme. Subi as escadas e sentei numa poltrona branca. Guia de viagem na mão, café na goela.

A chuva lá fora não parava e muita gente tinha entrado. Eis que entra um Scottish guy legítimo, jeans bem justo, moletom com capuz, ares joviais. Me pergunta se eu sou turista. Pergunta óbvia, já que meu guia de viagem denunciava. Só para puxar papo, como sempre. Papo vai, papo vem. Viagens, trabalho, impressões sobre a cidade, futuro. E a chuva já tinha parado sem que notássemos.

Poucas pessoas lá no andar de cima, até que só restaram eu e meu novo amigo. De repente, chega perto de mim, e me pergunta o que ia fazer. Eu digo que ia pegar mais um café e depois seguir meu caminho. Retribuí a pergunta por educação, já que sua resposta não me interessava. Ele me responde com a maior naturalidade possível: agora, neste momento, eu queria mesmo um beijo.

Ora, na hora não entendi, ou fiz que não entendi, ou meu nervosismo não queria mesmo entender ou não queria dar prosseguimento àquela aventura. Só fui entender quando ele se aproximou ainda mais, aí não teve jeito. Scottish kiss, then Scottish bed. Nos despedimos, falei que no dia seguinte ia pra Glasgow e que provavelmente nunca mais nos veríamos.

No dia seguinte, de manhãzinha, na gare, Scottish kiss, o último beijo.

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É do sindicato?

Fevereiro 12, 2008

Guards

Depois de ter apresentado um pequeno vocabulário do sindicato, o HM ensina aos leitores do blog como identificar um membro do sindicato.

Na academia

Ele malha ouvindo música, e de repente faz falsetes ou dá uma reboladinha? É do sindicato! Ele faz questão de limpar os aparelhos antes de sentar? É do sindicato! Ele malha glúteos em mais de um aparelho? É do sindicato!

No vestiario

Ele tem uma necessaire maior do que a da sua mãe? É do sindicato! Ele passa hidratante no cotovelo? É do sindicato! Ele está com as axilas depiladas? É do sindicato!

No trabalho

Ele tem várias amigas no trabalho? É do sindicato! Ele dá conselhos sentimentais ou de moda ou de cosméticos a essas amigas? É do sindicato! Ele sai para o corredor para atender o celular? É do sindicato! Ele tem na gaveta hidratante para as mãos? É do sindicato!

No restaurante

Ele está acompanhado de outro homem bonito, elegante e solteiro? É do sindicato! Ele está acompanhado de várias mulheres, sendo que nenhuma tem vínculo amoroso ou sexual com ele, e eles estão rindo freneticamente? É do sindicato! Ele está acompanhado de vários homens, todos rindo freneticamente e pelo menos um usa uma baby look? É do sindicato!

No shopping

Ele está desacompanhado, carregando várias sacolas? É do sindicato! Ele esá acompanhado de uma mulher, entra na loja com ela e dá palpite sobre o caimento e a cor do vestido? É do sindicato!

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O Beabá do Sindicato

Fevereiro 9, 2008

Girona

Os índios da tribo Mulututu se comunicam com sinais de fumaça. Espanhóis dizem ‘Buenos Días’, guatemaltecos preferem dizer ‘Buen Día’. Gaúchos comem cacetinhos e negrinhos. Curitibanos colocam vina no cacetinho gaúcho. Alguns baianos gostam de piriguetes. Cada grupo de pessoas tem a sua forma peculiar de se comunicar. O HM faz parte de um grupo, o Sindicato, que também tem um beabá próprio.

O HM inaugura aqui o dicionário do sindicato.

1. Sindicato. É a denominação do grupo do qual o HM faz parte. Não é uma religião, partido político, banda, bloco de carnaval ou ONG. É um estilo de vida moderno.

2. Bee. Não, nada de abelha. É um membro do sindicato. Também pode ser uma forma carinhosa de chamar os amigos no msn. Quanto mais letras “e”, maior a amizade.

 3. Ter potencial. Você vai a uma boate e encontra um rapaz vestindo pólo dentro da calça jeans, cinto, sapato e um par de meias com desenhos do mickey. Esse não tem potencial. Você vai à academia, e no vestiário tem um rapaz passando hidratante no cotovelo. Esse tem potencial.

4. Egípcia. Sabe aquela bee que não te cumprimenta quando vê na rua, não responde quando é perguntada, não atende quando você liga? Ela tá fazendo a egípcia pra você.

5. Açougue. Um lugar onde algumas bees adoram ir. Principalmente aquelas que tomam bomba e adoram tirar a camisa. Não, não é praia. É um ambiente fechado, que funciona à noite, onde as pessoas dançam.

6. Pipeline. Já ouviu a expressão “A fila anda”? Pois bem, o pipeline é a fila.

7. Prospect. Uma maneira moderna e elegante de dizer “pretê”.

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Na calada da madrugada

Fevereiro 8, 2008

Coffee

- Em 2000 fui estudar no Canadá. A turma era multicultural, tinha muitos brazucas, suíços, japoneses, coreanos, e assim por diante. Mas entre tanta gente diferente tinha uma criatura que se sobressaía. Era o Kim.

Kim, um coreano finíssimo. Enorme, excêntrico, usava óculos fundo de garrafa e sempre estava com um sobretudo preto, sóbrio, quase um detetive. Ele tinha as histórias mais malucas, contava as coisas mais engraçadas, conhecia os lugares mais estranhos.

Não dá pra esquecer a segunda-feira em que ele chegou contando das suas andanças pela Church Street, uma experiência marcante para ele.

Toda semana, cada aluno tinha que preparar uma apresentação breve, sobre algo do seu país de origem. Eu já estava entediado de ouvir sobre o carnaval, futebol, samba, sushi, sashimi, os alpes, as montanhas, e assim por diante. Ouvia as apresentações com atenção, claro, e uma xícara de café bem forte, esperando com ansiedade a apresentação do Kim.

Kim era meio exotérico, meio de outro mundo. Ele falava sobre acupuntura, grafologia, quiromancia, sonhos. Ele chegou a ler a mão de todos, inclusive dos céticos. E assustava todo mundo como ele adivinhava coisas concretas sobre o passado de todo mundo. Ele me ensinou o básico da quiromancia e me ajudou a desvendar alguns sonhos que eu tinha.

Essa noite acordei às 3.30. Com um sonho exatamente como aquele que Kim havia descrito. Uma mulher desconhecida, alta, bonita, falando comigo em uma língua que eu não entendia. Ao redor, nada e ao mesmo tempo tudo. Um ruído insuportável…

“Someone trying to establish a connection. A mental connection. A conscious or unconscious state of his mind. Don’t be afraid, I’m not talking about dead people. He is real, but he may not know. And you also may not notice.”

Eu não consigo interpretar, quem seria, aquela hora? Boooooo…

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Mente aberta, cuca fresca

Fevereiro 4, 2008

Favela

- Uma das coisas legais de envelhecer é que você vai acumulando experiências e através desse acúmulo vai moldando suas idéias. Uma vez li uma entrevista bem interessante com uma psicóloga que, casada há mais de 30 anos, foi perguntada como era viver com o MESMO homem por tanto tempo. Ela respondeu que durante esses 30 anos, ela mudou, ele mudou. Então não é como se ela tivesse estado todo esse tempo com a mesma pessoa.

Achei isso muito bacana!

Mas pra essa mudança acontecer, eu penso que é preciso estar aberto à mudança, a novas experiências, a um novo olhar para o mundo.

Comecei a entender melhor a família quando perdi alguém que amava muito. Aprendi a ser forte quando vi que era só eu quem poderia resolver meus problemas. Entendi o que é sentir saudades a milhares de kilômetros de distância. Entendi o que é usar drogas ao me relacionar com usuários.Comecei a entender as favelas qunado me hospedei num hotel de costas para uma. Aprendi que sexo, desejo, paixão e amor não necessariamente caminham juntos. E aprendi que a vida reserva (boas) surpresas, quem nunca teve é porque deixou passar.

E eu já quis deixar esse país. Quando deixei, quis ficar. Depois, deixei de novo, quis voltar. Hoje, eu posso deixar. Mas a idéia de que o Brasil é o melhor lugar do mundo, ninguém me tira. Pelo menos por enquanto. ;-)

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O dia em que uma calça rasgada quase apareceu num editorial de moda

Fevereiro 4, 2008

Orla

- No ano passado uma amiga veio me visitar aqui no Rio de Janeiro. Era sábado de manhã, um dia de maio enrolarado, mas com temperaturas amenas. Fomos tomar café-da-manhã no Cafeína, onde acabamos ficando quase 2 horas – sentados nos bancos de madeira, comendo, papeando. Na hora de ir embora – e aqui o banco de madeira deixa de ter o papel de coadjuvante – me levanto e ouço um barulho estranho.

Passo a mão na minha bunda e sinto que um pequeno duto de ar se abriu – por causa do banco de madeira (toda vez que vou pra lá, lembro dessa história, e me levanto com TODO o cuidado.

A minha sorte era que minha camiseta tampava o rasgo e não seria um furo que me faria voltar pra casa. É como uma modelo que cai na passarela, levanta e continua andando, como se nada tivesse acontecido.

Minha amiga e eu fomos fazer compras na Visconde de Pirajá e após compras básicas, ela queria um colar. Só fomos encontrá-lo numa barraca improvisada de uma vendedora de rua, simpatissíssima. Minha amiga, fina, combinou roupa colar e pulseiras que ela também acabou comprando.

Tem horas que as pessoas acabam fantasiando situações e só percebem depois que tudo acontece. E eu imagino que naquele dia nós estávamos na Ocean Drive mas tinham esquecido de nos avisar que estávamos na Vieira Souto.

Caminhávamos tranquilamente pela orla quando umas 6 pessoas nos abordaram. Disseram que estavam fazendo um editorial de moda e queriam permissão para nos filmar e fotografar. Confesso, já aconteceu muita coisa estranha enquanto eu andava na rua, mas isso pra mim foi novidade.

Olhei para minha amiga, ela olhou pra mim. E naquela hora eu pensei: bermuda furada. Ela deve ter pensado: colar e pulseira de camelô. Ela disse um sonoro ‘hoje não’. E eu, que estava me segurando para não rir, não consegui dizer nada.

Quem diria, uma bermuda furada e bijuterias de camelô fazendo sucesso em Ipanema.

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O trabalho

Fevereiro 3, 2008

Shirts

Existe vida interessante no mundo corporativo?

Entre reuniões intermináveis, planilhas, demandas de última hora (sempre pra ontem), surpresa (nada) agradáveis, notícias bombásticas e dias entediantes, HM acha que sim.

HM repudia auto-ajuda e não acredita nos pseudo-conselhos que os livros, revistas e programas de TV dão às pessoas que querem ser bons profissionais. Prefere apresentar ao mundo seus 10 mandamentos para que o trabalho não seja sinônimo de inferno.

1. Vida pessoal não combina com trabalho. Ninguém precisa saber com quem você dormiu, quais posições praticaram e se você fumou unzinho no final de semana.

2. Puxa saco, a gente percebe de longe. Seu chefe – que é mais esperto que você – obviamente sabe que você está tentando fazer do saco dele o corrimão para o sucesso.

3. No elevador, tem prioridade quem sai.

4. Mulher costuma ser um bicho traiçoeiro. Você só precisa ganhar a confiança delas. Use frases como “Adorei seu corte de cabelo novo”, “Você está linda com esse vestido” ou “Comprei um produto novo pra cabelo que é ótimo”. Ah, e não precisa ficar constrangido de dizer essas coisas. Elas são mais espertas do que você imagina.

5. No mundo dos negócios, duas coisas andam juntas. Talento e QI. QI funciona sozinho às vezes, mas depois de um tempo sente falta do talento. E falando em QI… Sim, você precisa dar atenção ao amigo chato que conhece todo mundo no mercado.

6. Qualidade de vida existe. Mas não é a ginástica laboral que vai trazê-la – aliás, ginástica laboral é o maior mico que inventaram. Fuja! Qualidade de vida é: deixar claro que você quer ser avaliado pelo produto final do seu trabalho, e não pelo número de horas trabalhadas. Assim, ao levantar da cadeira às 4 horas da tarde e dizer tchau pra todo mundo, você tem que dizer: “Hoje fui tão produtivo, que já terminei tudo! Tchau!”.

7. O ditado “você é insubstituível” é a mais pura verdade, mas o que você esquece é que o seu vizinho também é, e se você sair da empresa, certamente arrumará lugar em outra.

8. A secretária do seu chefe é tão importante quanto ele. Pense nisso.

9. Você já pegou aquele estagiário do décimo andar? Viu aquele gerente casado numa boate gls? Bico calado. Poderia ser com você.

10. Tenha estilo, seja elegante.

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Sobre o tempo

Fevereiro 3, 2008

Watch

6.30 am e ele acorda. Sem tempo para apertar o snooze. Como diria Tio Patinhas: Tempo é Dinheiro.

Tempo se gasta? Tempo se perde? Tempo se ganha? Sem tempo para frescura. Tempo é passado, presente e futuro. Hora de pensar no presente – e aqui começa a saga do HM.

Parfum

Escova de dentes, pasta de dentes, sabonete, barbeador, creme pós-barba, perfume. O ritual é antigo, mas os ventos da metrossexualidade trouxeram incrementos antes inimagináveis ao universo do asseio pessoal. Creme pós-barba anti-sinais e anti-brilho, máscara, creme anti-olheira com extrato de pepino, loção matificante, esfoliante, reparador epidérmico, condicionador com silicone, polpa hidratante.

Nada de homens fedidos, mal arrumados e maltrapilhos.

Por uma sociedade mais cheirosa.