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Ressaca moral

Março 17, 2008

Rio

Sexo ruim dá ressaca moral no dia seguinte. Sexo muito bom com uma pessoa fantástica – mas que você sabe que o caso não vai pra frente – também dá ressaca moral. Dizer certas coisas e ouvir certas coisas também dá ressaca moral.

Nesse quesito, existem 2 tipos de sindicalizados: aquele que não tem ressaca moral e aquele que tem. É impressionante como a cabeça das pessoas funciona diferente.

A cura pra uma ressaca alcoólica geralmente é simples: água, remédio, e de repente alguns dias sem beber. Só que pra ressaca moral a cura talvez não seja tão fácil assim. Abstinência? Se jogar? Procurar distração? Dependendo da solução, só piora.

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Uma (r)evolução

Março 13, 2008

Homer

Os anos passam e as pessoas acabam percebendo que a relação delas com o espelho não é a mesma. Que a tecnologia avança mais rápido do que a capacidade de acompanhá-la. Ipod, iphone, ibook, itouch, wi-fi, bluetooth, megapixel, smartphone, mp3, mp4, mp5…

Dúvidas de que o Papai Noel ou o Coelho da Páscoa existem são substituídas por outras: por exemplo, o amor, seria ele mais uma invenção do mundo capitalista?

E ao mesmo tempo em que fazer amigos é mais difícil, você descobre o que é um amigo de verdade e isso vale mais do que milhares de amigos do clube quando era criança.

Você ganha responsabilidade, quer ter controle de tudo, aprende (ou não) a lidar com o dinheiro e com as pessoas, sabe o que agrada, e o que não agrada, e tudo acaba sendo rotulado. As situações acabam ficando parecidas, e no fim das contas quase todo mundo é igual.

Mas a vida é feita de surpresas e de pessoas misteriosas, como um baú trancado a 7 chaves e que você tenta abrir, como uma caça ao tesouro.

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O pobre e o prazer

Março 9, 2008

Xadrez

- Tem gente que diz que pobre que é feliz. Pobre faz churrasquinho com carne de segunda na laje; exibe o saquinho da Mr. Cat que ganhou da patroa como se fosse uma bolsa da LV; pega ônibus, trem e metrô pra pegar uma praia no domingo em Copacabana (claro, levando um isopor com cerveja barata e franguinho preparado na noite anterior). Pobre não faz análise. Pobre infringe todas as regras da modernidade. Mas pobre não tem vergonha de ser feliz.

Ontem fui jantar com um amigo num restaurante-lounge-bar-balada, conhecidíssimo na noite carioca e freqüentado por aqueles que se consideram o crème de la crème de la societé carioca.

Ambiente impecável, garçonete descolada (que aliás, bem notou que era a segunda vez que estivemos lá na semana e que aquele dia era um dia non-sindicato), comida de qualidade, bebida daquelas que um é muito pouco, gente bonita mas muito, MUITO estranha.

Entramos e aquilo parecia um velório. 3 mesas ocupadas (10 pessoas na primeira, 6 na segunda e um casal na terceira). Todos (sem exceçã0) olharam para nós quando entramos, me senti entrando na igreja. Só se ouvia a música ambiente e mais nada. A fisionomia das pessoas era deprimente: nenhum sorriso, nenhuma conversa acalorada, nada. Depois vieram mais 3 casais de turistas (3 homens e 3 mulheres), de Porto Alegre, e sentaram na mesa atrás da nossa. Os homens usavam camisa social xadrez (dentro da calça) e ficaram conversando sobre microinformática. Teve uma hora que eles ouviram o papo animado (impróprio para menores de 18) na nossa mesa e percebi que ficaram o resto da noite como espectadores.

Depois teve baladinha. Uma coisa meio Palais de Versailles, eu diria. Copo na mão, gente se olhando, caras e bocas, um luxo, um glamour, uma coisa, assim… aristocrática. Um ambiente meio sem sentimento, não tinha felicidade naquelas pessoas.

Deve ser uma merda ser pobre, não ter dinheiro pra uns prazeres que a gente cultiva com o tempo, mas ter dinheiro e não ter prazer é pior ainda.

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Um Projeto de Vida

Março 5, 2008

Obidos

O garoto mal entra na escola e pedem pra ele uma redação dizendo “o que vou ser quando crescer”. No almoço de domingo com a família, pais, tias, avós, todo mundo pergunta “o que você quer ser quando crescer?”.

Policial, professora, atriz, doutor. Respostas simpáticas e previsíveis são sempre bem vindas e até compreensíveis, mas quando o garoto solta um ‘padre, faxineiro, dançarino, vigia’, começa a pressão sobre o pobre coitado.

O garoto cresce, vai pra universidade (pra ser doutor, advogado ou engenheiro, sonho da família) e logo se vê entrando no mercado de trabalho, perguntado qual o seu projeto de vida.

Ser presidente do país? Casar? Ter filhos? Morar nas Bahamas? Abrir uma loja de esportes? Fundar uma ONG? Ter um apartamento nos Jardãns?

Não existe resposta certa, afinal cada um tem direito de querer o que quiser. E também não está errado se não houver uma resposta. Será que todo mundo tem que ter MESMO um Projeto de Vida, um plano pro futuro e perseguir esse plano?

O garoto cresceu, nunca soube ao certo qual era seu projeto de vida. Foi vivendo, as oportunidades foram aparecendo, e ele foi perseguindo aquilo que ele queria no momento. Sem arrependimentos.

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A gente se fala.

Março 3, 2008

Lisboa

A bee foi pro açougue, paquerou, caçou e ficou com a outra bee (não entendeu? veja o dicionário do sindicato: http://ohomemmoderno.wordpress.com/2008/02/09/o-beaba-do-sindicato/). Foram para sua casa, tiveram uma noite inesquecível, café da manhã na cama, e na hora de ir embora: “então tá, a gente se fala”.

“A gente se fala” é tão vago quanto “choveu no ano passado”, tão prático quanto apertar a descarga, tão ofensivo quanto tortura chinesa. É a pior resposta que um ser pode receber.

A bee preferia tanto mais um ‘tchau’, ou até mesmo ‘boa sorte’. Mas não, ganhou um “a gente se fala”. É igual a maldição do espelho quebrado, 7 anos de azar. Quebrou o espelho, agora não tem mais como colar os cacos. Tem que aprender a conviver com isso.

A gente se fala! ;-)

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Omissão é uma forma de mentira?

Fevereiro 27, 2008

Dali

- Algumas semanas atrás um amigo afirmou que “omissão é uma forma de mentira”. Isso ficou na minha cabeça por vários dias, refleti sobre a afirmação, e o assunto até acabou virando tema de um almoço com um outro amigo.

Andei pensando muito nisso, e cheguei à conclusão de que a omissão preserva ou ajuda a preservar a harmonia dos relacionamentos, sejam quais forem.

Como seriam as relações humanas se as pessoas falassem tudo, absolutamente TUDO o que pensam? Subordinados reclamando de chefes, mulheres criticando vestidos e penteados das amigas em festas, a prima que ganhou quilinhos a mais, verdades emergindo em almoços em família, desavenças do passado em aniversários de 10 anos de formatura, o almoço na casa da sogra que não estava tão saboroso, a amiga casada por quem se apaixonou perdidamente…

A omissão salva as relações humanas do caos da sinceridade.

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Multissexual

Fevereiro 26, 2008

Wolverine

- Pessoas adoram rótulos, desde guiness books a apelidos que pegam na infância e duram anos. Cabelo, duda, leleca.

Quando eu era criança, era fácil saber o que era heterossexual. E era meio difícil e confuso saber bem ao certo o que era ser gay, homossexual, bicha, viado. A gente vai vivendo, tendo experiências, e o aprendizado traz certezas e às vezes dúvidas até.

Hoje eu sei muito bem o que é ser homossexual, mas não sei mais o que é ser heterossexual. Dizem que todo homem já teve vontade ou curiosidade de sentir prazer lá naquele lugar. A grande maioria dos caras com quem tive alguma coisa ou tinham namorada, ou eram casados, sem filhos ou com, ou tinham uma vida dupla.

Homossexual, metrossexual, bissexual, curioso, pseudo-hétero, heterossexual, pansexual, multissexual… Alguém explica?

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Glam

Fevereiro 24, 2008

Glam

Alguns anos atrás, nem protetor solar era algo indispensável para um homem quando saía de casa. Hoje a nécessaire ficou maior do que a maleta do notebook, já que os eletro-portáteis têm ficado cada vez menores e as variedades cosméticas, mais numerosas.

O Homem Moderno hoje consome mais cremes para o rosto e corpo do que carne vermelha.

Ao acordar, sabonete anti acne, pós barba anti sinais e anti brilho, hidratante matificante para equilibrar o PH da pele, creme anti-olheira, bruma hidratante para refrescar o corpo depois do banho. Durante o dia, hidratante para as mãos, lâminas anti brilho. À noite, máscara de limpeza, cremes, loções, reparadores, hidratantes… não tem fim.

É o Império da Vaidade. E não tem desculpa pra não parecer bonito, cheiroso, gostoso. Mesmo que a natureza não tenha colaborado muito com você.

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Sindicalizados: os tipos

Fevereiro 23, 2008

Children

O mundo moderno viu o aparecimento dos sindicalizados. Na TV, na academia, na escola, no shopping, é cada vez mais comum encontrar sindicalizados. Há tipos e tipos de sindicalizados e o Homem Moderno ajuda a identificar alguns deles.

A Barbie: adoram açougues (leia o beabá do sindicato!), e passam calores. São enormes, chegam ao açougue usando camisetas apertadas (de preferência Armani Exchange), calça jeans apertada e cinto cintilante, mas logo sentem calor e tiram a camiseta. São fãs de depilação.

A Intelectualizada: inimiga número 1 das Barbies. Acha que academia é perda de tempo, a-do-ram filmes europeus ou são fãs de Woodie Allen, lêem Nietszche, odeiam BBB. 

A Rica: chega ao açougue de carro conversível (de preferência preto), não se mistura (a não ser com outras ricas), freqüentam os lugares mais cool da cidade mas acham tudo uó. Tem um apê em Manhattan onde leva os amigos nas férias e acha que pode tudo.

A Poc-poc: vai de van pro açougue, faz luzes no cabelo, usa canga na praia, a-do-ra bijouterias, a-do-ra acessórios, Madonna wanna be, a-do-ra roupas coloridas e bate ponto na parada. E acha que está a-ba-fan-do!

A Descolada: no açougue, mesmo que à noite, está de óculos escuros e com um pirulito na boca. Mais conhecida como “descolada da realidade”.

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O primeiro dia do futuro

Fevereiro 20, 2008

BsAs

- Parece que foi ontem, aos 16 deixava minha cidade natal, aos abraços de meu irmão mais novo, ele enxugando meu choro, minha tristeza e minha insegurança de ir morar em uma cidade muito maior.

No ano seguinte, deixava essa cidade e minha família para buscar sonhos que eu sempre quis e uma independência que eu não queria naquele momento.

Anos depois, botei minhas coisas no meu carro e segui pra maior cidade deste país, sem saber ao certo o que ia acontecer, sem planejar muita coisa, pra “conquistar o mundo”. Fiz amigos, conheci lugares, virei habitué, notívago, entrei pro sindicato, fiz loucuras, conheci gente maluca, viajei (até demais), colecionei histórias que ficarão para sempre aqui comigo.

Acabei descobrindo que os sonhos, às vezes, não precisam estar distantes, na categoria “sonhos impossíveis” e o futuro não precisa ser temido e também não é preciso um grande acontecimento para traduzir em grandes mudanças. Futuro é sinônimo de esperança.

A grande cidade ficou pra trás, e hoje, numa grande e maravilhosa cidade eu faço meu futuro cada dia que passa. Nada como um dia após o outro.