
- E de repente a aeromoça cutuca meu braço, avisando que o avião vai pousar e que o assento deve ser colocado na posição vertical. Abro a janela, sempre à direita, e começam a aparecer imagens familiares e outras novas.
Não é ao som de Samba do Avião que a aeronave vai perdendo altitude, mas sim um silêncio temperado pela turbina do avião e pelas imagens: Marginal Pinheiros, prédio da Abril, cratera do metrô, raia olímpica da USP, o novo shopping Cidade Jardim, a nova ponte amarela, os novos e os velhos arranha-céus, Moema, Campo Belo, e pronto. São Paulo.
São Paulo é uma cidade que olha pra frente, que não fica parada, com um pé no presente, outro no futuro. É uma cidade que evolui.
Os prédios novos e modernos que vão ocupando espaços que antes eram chácaras ou favelas. As soluções criativas para leis rígidas. A megalomania do consumismo. A arquitetura neoclássica que agrada os ricos e inferniza os arquitetos. As manias que o dinheiro permite. O comer bem. O trabalhar.
E o avião mal pára para o finger encaixar e as pessoas já estão formando fila no corredor, já abriram todos os compartimentos de bagagem, mais da metade tem os celulares ou blackberries no ouvido, e o restante, mandando mensagens de texto.
Porque a cidade não pára.











