Arquivo da categoria ‘Pensando Moderno’

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Sampa, São Paulo, Sampaulo.

Agosto 28, 2008

- E de repente a aeromoça cutuca meu braço, avisando que o avião vai pousar e que o assento deve ser colocado na posição vertical. Abro a janela, sempre à direita, e começam a aparecer imagens familiares e outras novas.

Não é ao som de Samba do Avião que a aeronave vai perdendo altitude, mas sim um silêncio temperado pela turbina do avião e pelas imagens: Marginal Pinheiros, prédio da Abril, cratera do metrô, raia olímpica da USP, o novo shopping Cidade Jardim, a nova ponte amarela, os novos e os velhos arranha-céus, Moema, Campo Belo, e pronto. São Paulo.

São Paulo é uma cidade que olha pra frente, que não fica parada, com um pé no presente, outro no futuro. É uma cidade que evolui.

Os prédios novos e modernos que vão ocupando espaços que antes eram chácaras ou favelas. As soluções criativas para leis rígidas. A megalomania do consumismo. A arquitetura neoclássica que agrada os ricos e inferniza os arquitetos. As manias que o dinheiro permite. O comer bem. O trabalhar.

E o avião mal pára para o finger encaixar e as pessoas já estão formando fila no corredor, já abriram todos os compartimentos de bagagem, mais da metade tem os celulares ou blackberries no ouvido, e o restante, mandando mensagens de texto.

Porque a cidade não pára.

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Passeio no shopping

Junho 25, 2008

Um mercado consumidor só existe com uma demanda. Por exemplo, não se não há uma demanda pra descascadores de banana automáticos que falam e apitam, não há mercado para isso, e o produto não vende.

O mesmo se aplica a pessoas. Não adianta aparecer uma banana split com muito caramelo quando o que se quer é somente uma banana madura.

Um produto mal apresentado, ou com prazo de validade vencido, desinteressante ou demodê, vai apodrecer nas prateleiras. E mesmo aqueles que têm uma embalagem bonita, mas que chegando em casa não funcionam de jeito nenhum, não acabam fazendo sucesso por muito tempo.

E de maneira análoga, um produto raro – um fabergé, por exemplo - bem cuidado, bem guardado, é mais atraente e pode se tornar um sonho de consumo.

Compras por impulso acontecem, mas nem sempre aquilo que se compra é o que se esperava.

O mundo dos negócios tem – definitivamente – muito o que ensinar às pessoas.

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P.E.I.

Abril 8, 2008

 

Aspirina

- Hoje as pessoas saem de casa com seus iphones, que têm câmera, celular, internet, calculadora, etc etc. E eu lembro muito bem que, quando criança, o crème de la crème dos equipamentos eletrônicos acessíveis aos pobres mortais era um desktop de tela negra e letras verdes.

Tinha um joguinho – na verdade, nem era bem um jogo – que me hipnotizava. Era o BioRitmo. Você entrava com o nome completo e com a data de nascimento (obviamente, o nome não fazia diferenca no output – testei nomes diferentes com a mesma data de nascimento e o resultado era o mesmo), e apareciam 3 curvas, tipo dente de jacaré.

Cada curva tinha uma letra: P, E e I. P de Physical, E de Emotional e I de Intellectual, e elas oscilavam de acordo com o passar dos dias.

Tinha dias em que o P estava em alta, E e I estavam em baixa. Outros, I estava em alta, P meia-boca e E em baixa. Criança que era, achava que Is em alta dariam sorte na prova, Ps em alta, sorte nos esportes, Es em alta seriam sinais de felicidade. Claro que não fazia diferença alguma, porque para uma criança os dias são iguais.

Com o advento dos PCs, MACs da vida, nunca mais vi o tal do BioRitmo, mas como os solstícios e equinócios, acabo sentindo quando meus Ps, Es e Is estão em alta…

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Solstícios e equinócios

Abril 2, 2008

Cwb

Solstícios acontecem 2 vezes ao ano, assim como os equinócios. Tanto solstícios quanto equinócios marcam a chegada das estações do ano.

E assim como as estações, os animais também seus solstícios e equinócios. Gatos e cachorros passam épocas no cio, sedentos para a procriação.

Com o homem não é diferente. Tem épocas em que os ventos são mais quentes; o céu, mais brilhante; os cheiros, mais salientes. E como tudo que acontece em excesso, faz mal.

Ufa, outono chegou.

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Criando raízes

Março 26, 2008

Rio

- Quando criança, já quis ser importante. Mas nada de jogador de futebol, cantor ou ator. Queria conquistar o mundo, ser presidente da república ou, quem dera, ir pra lua como astronauta.

Passam se os anos, e os bissextos, e o Brasil já mandou o seu astronauta pro espaço, e a política perdeu seu charme.

Deixei pra trás o colo e a cozinha com cheiro de bolo de fubá da mamãe e fui conquistar a liberdade de ir, estar, conhecer, ficar e ir embora. Milhas acumuladas, cheiros e lugares diferentes, gentes e costumes, coisas das quais é difícil esquecer.

Mas chega uma hora, isso cansa. A saudade do bonsai que esquecera de regar, dos amigos que estão se divertindo tanto, indo aos seus lugares prediletos, comendo seus pratos favoritos, curtindo a balada do momento, andando naquela rua que fica florida quando o outono chega.

Você quer raízes, mas só tem asas. Hora de criar raízes.

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Ressaca moral

Março 17, 2008

Rio

Sexo ruim dá ressaca moral no dia seguinte. Sexo muito bom com uma pessoa fantástica – mas que você sabe que o caso não vai pra frente – também dá ressaca moral. Dizer certas coisas e ouvir certas coisas também dá ressaca moral.

Nesse quesito, existem 2 tipos de sindicalizados: aquele que não tem ressaca moral e aquele que tem. É impressionante como a cabeça das pessoas funciona diferente.

A cura pra uma ressaca alcoólica geralmente é simples: água, remédio, e de repente alguns dias sem beber. Só que pra ressaca moral a cura talvez não seja tão fácil assim. Abstinência? Se jogar? Procurar distração? Dependendo da solução, só piora.

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Uma (r)evolução

Março 13, 2008

Homer

Os anos passam e as pessoas acabam percebendo que a relação delas com o espelho não é a mesma. Que a tecnologia avança mais rápido do que a capacidade de acompanhá-la. Ipod, iphone, ibook, itouch, wi-fi, bluetooth, megapixel, smartphone, mp3, mp4, mp5…

Dúvidas de que o Papai Noel ou o Coelho da Páscoa existem são substituídas por outras: por exemplo, o amor, seria ele mais uma invenção do mundo capitalista?

E ao mesmo tempo em que fazer amigos é mais difícil, você descobre o que é um amigo de verdade e isso vale mais do que milhares de amigos do clube quando era criança.

Você ganha responsabilidade, quer ter controle de tudo, aprende (ou não) a lidar com o dinheiro e com as pessoas, sabe o que agrada, e o que não agrada, e tudo acaba sendo rotulado. As situações acabam ficando parecidas, e no fim das contas quase todo mundo é igual.

Mas a vida é feita de surpresas e de pessoas misteriosas, como um baú trancado a 7 chaves e que você tenta abrir, como uma caça ao tesouro.

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Um Projeto de Vida

Março 5, 2008

Obidos

O garoto mal entra na escola e pedem pra ele uma redação dizendo “o que vou ser quando crescer”. No almoço de domingo com a família, pais, tias, avós, todo mundo pergunta “o que você quer ser quando crescer?”.

Policial, professora, atriz, doutor. Respostas simpáticas e previsíveis são sempre bem vindas e até compreensíveis, mas quando o garoto solta um ‘padre, faxineiro, dançarino, vigia’, começa a pressão sobre o pobre coitado.

O garoto cresce, vai pra universidade (pra ser doutor, advogado ou engenheiro, sonho da família) e logo se vê entrando no mercado de trabalho, perguntado qual o seu projeto de vida.

Ser presidente do país? Casar? Ter filhos? Morar nas Bahamas? Abrir uma loja de esportes? Fundar uma ONG? Ter um apartamento nos Jardãns?

Não existe resposta certa, afinal cada um tem direito de querer o que quiser. E também não está errado se não houver uma resposta. Será que todo mundo tem que ter MESMO um Projeto de Vida, um plano pro futuro e perseguir esse plano?

O garoto cresceu, nunca soube ao certo qual era seu projeto de vida. Foi vivendo, as oportunidades foram aparecendo, e ele foi perseguindo aquilo que ele queria no momento. Sem arrependimentos.

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Omissão é uma forma de mentira?

Fevereiro 27, 2008

Dali

- Algumas semanas atrás um amigo afirmou que “omissão é uma forma de mentira”. Isso ficou na minha cabeça por vários dias, refleti sobre a afirmação, e o assunto até acabou virando tema de um almoço com um outro amigo.

Andei pensando muito nisso, e cheguei à conclusão de que a omissão preserva ou ajuda a preservar a harmonia dos relacionamentos, sejam quais forem.

Como seriam as relações humanas se as pessoas falassem tudo, absolutamente TUDO o que pensam? Subordinados reclamando de chefes, mulheres criticando vestidos e penteados das amigas em festas, a prima que ganhou quilinhos a mais, verdades emergindo em almoços em família, desavenças do passado em aniversários de 10 anos de formatura, o almoço na casa da sogra que não estava tão saboroso, a amiga casada por quem se apaixonou perdidamente…

A omissão salva as relações humanas do caos da sinceridade.

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Multissexual

Fevereiro 26, 2008

Wolverine

- Pessoas adoram rótulos, desde guiness books a apelidos que pegam na infância e duram anos. Cabelo, duda, leleca.

Quando eu era criança, era fácil saber o que era heterossexual. E era meio difícil e confuso saber bem ao certo o que era ser gay, homossexual, bicha, viado. A gente vai vivendo, tendo experiências, e o aprendizado traz certezas e às vezes dúvidas até.

Hoje eu sei muito bem o que é ser homossexual, mas não sei mais o que é ser heterossexual. Dizem que todo homem já teve vontade ou curiosidade de sentir prazer lá naquele lugar. A grande maioria dos caras com quem tive alguma coisa ou tinham namorada, ou eram casados, sem filhos ou com, ou tinham uma vida dupla.

Homossexual, metrossexual, bissexual, curioso, pseudo-hétero, heterossexual, pansexual, multissexual… Alguém explica?