
- Em 2000 fui estudar no Canadá. A turma era multicultural, tinha muitos brazucas, suíços, japoneses, coreanos, e assim por diante. Mas entre tanta gente diferente tinha uma criatura que se sobressaía. Era o Kim.
Kim, um coreano finíssimo. Enorme, excêntrico, usava óculos fundo de garrafa e sempre estava com um sobretudo preto, sóbrio, quase um detetive. Ele tinha as histórias mais malucas, contava as coisas mais engraçadas, conhecia os lugares mais estranhos.
Não dá pra esquecer a segunda-feira em que ele chegou contando das suas andanças pela Church Street, uma experiência marcante para ele.
Toda semana, cada aluno tinha que preparar uma apresentação breve, sobre algo do seu país de origem. Eu já estava entediado de ouvir sobre o carnaval, futebol, samba, sushi, sashimi, os alpes, as montanhas, e assim por diante. Ouvia as apresentações com atenção, claro, e uma xícara de café bem forte, esperando com ansiedade a apresentação do Kim.
Kim era meio exotérico, meio de outro mundo. Ele falava sobre acupuntura, grafologia, quiromancia, sonhos. Ele chegou a ler a mão de todos, inclusive dos céticos. E assustava todo mundo como ele adivinhava coisas concretas sobre o passado de todo mundo. Ele me ensinou o básico da quiromancia e me ajudou a desvendar alguns sonhos que eu tinha.
Essa noite acordei às 3.30. Com um sonho exatamente como aquele que Kim havia descrito. Uma mulher desconhecida, alta, bonita, falando comigo em uma língua que eu não entendia. Ao redor, nada e ao mesmo tempo tudo. Um ruído insuportável…
“Someone trying to establish a connection. A mental connection. A conscious or unconscious state of his mind. Don’t be afraid, I’m not talking about dead people. He is real, but he may not know. And you also may not notice.”
Eu não consigo interpretar, quem seria, aquela hora? Boooooo…