
Criando raízes
Março 26, 2008
- Quando criança, já quis ser importante. Mas nada de jogador de futebol, cantor ou ator. Queria conquistar o mundo, ser presidente da república ou, quem dera, ir pra lua como astronauta.
Passam se os anos, e os bissextos, e o Brasil já mandou o seu astronauta pro espaço, e a política perdeu seu charme.
Deixei pra trás o colo e a cozinha com cheiro de bolo de fubá da mamãe e fui conquistar a liberdade de ir, estar, conhecer, ficar e ir embora. Milhas acumuladas, cheiros e lugares diferentes, gentes e costumes, coisas das quais é difícil esquecer.
Mas chega uma hora, isso cansa. A saudade do bonsai que esquecera de regar, dos amigos que estão se divertindo tanto, indo aos seus lugares prediletos, comendo seus pratos favoritos, curtindo a balada do momento, andando naquela rua que fica florida quando o outono chega.
Você quer raízes, mas só tem asas. Hora de criar raízes.
A verdade é (para mim, é minha opinião) que quem quer voar, tem de saber onde vai querer pousar e, principalmente, o caminho de volta.
As raízes são importantes. Nenhuma árvore ganha as alturas se não se firmar no solo de sua segurança!
Voar é necessário. Ter o “porto seguro”, no entanto, é primordial.
Acho que estou num momento diferente. Tenho raízes, preciso agora criar asas…
Abração
poético
mas entendo o q vc quer dizer
vc está certo. não vejo a hora de voltar…
o problema é quando não se tem vontade de criar raízes…
Muito bom o comentário do Euzer Lopes sobre a necessidade de um porto seguro. Acho que até já expressei isso aqui de outras formas (com a questão de ficar velho e o mundo nãomoderno ir settling down enquanto você ainda está borboleteando por aí). É um questionamento que eu tenho o tempo todo (ultimamente, I mean).
Enfim, faz um tempo que voei asas. E sei que não é aqui que vou criar raízes — não que eu tenha medo, mas ninguém cria raízes nessa cidade. E nào quero ter que me preocupar com essa história de fazer amigos novos o tempo todo. Mas tudo bem, porque ainda tenho o meu porto seguro no Brasil — você é uma parte dele, os meus outros amigos também. Então não tem problema. Mas é que o meu próximo passo provavelmente vai ser outro vôo, de modo que eu só voltaria pro meu porto seguro daqui a uns anos. E aí fica a pergunta: Será que o meu porto seguro ainda vai estar lá quando eu o procurar, ou será que ele vai ter se modificado e me esquecido de alguma maneira? Será que eu ainda me sentirei seguro no meu porto seguro?
Ai, vida.
gosto de raízes amigo….mas asas são o que nos faz mudar….em todos os sentidos.
Sim…eu sou paulistano……rsss
abraços
Me identifiquei muito com sua última frase.
Ela tá no meu nick do msn agora, e provavelmente vá parar no meu orkut.
Mas oh, se perguntarem, digo que é sua!
Parabéns outra vez!
“Você quer raízes, mas só tem asas. Hora de criar raízes.”
Que frase impactante! Vem a calhar com o momento que vivo.
Vou utilizá-la, resguardando a autoria.