
- Tem gente que diz que pobre que é feliz. Pobre faz churrasquinho com carne de segunda na laje; exibe o saquinho da Mr. Cat que ganhou da patroa como se fosse uma bolsa da LV; pega ônibus, trem e metrô pra pegar uma praia no domingo em Copacabana (claro, levando um isopor com cerveja barata e franguinho preparado na noite anterior). Pobre não faz análise. Pobre infringe todas as regras da modernidade. Mas pobre não tem vergonha de ser feliz.
Ontem fui jantar com um amigo num restaurante-lounge-bar-balada, conhecidíssimo na noite carioca e freqüentado por aqueles que se consideram o crème de la crème de la societé carioca.
Ambiente impecável, garçonete descolada (que aliás, bem notou que era a segunda vez que estivemos lá na semana e que aquele dia era um dia non-sindicato), comida de qualidade, bebida daquelas que um é muito pouco, gente bonita mas muito, MUITO estranha.
Entramos e aquilo parecia um velório. 3 mesas ocupadas (10 pessoas na primeira, 6 na segunda e um casal na terceira). Todos (sem exceçã0) olharam para nós quando entramos, me senti entrando na igreja. Só se ouvia a música ambiente e mais nada. A fisionomia das pessoas era deprimente: nenhum sorriso, nenhuma conversa acalorada, nada. Depois vieram mais 3 casais de turistas (3 homens e 3 mulheres), de Porto Alegre, e sentaram na mesa atrás da nossa. Os homens usavam camisa social xadrez (dentro da calça) e ficaram conversando sobre microinformática. Teve uma hora que eles ouviram o papo animado (impróprio para menores de 18) na nossa mesa e percebi que ficaram o resto da noite como espectadores.
Depois teve baladinha. Uma coisa meio Palais de Versailles, eu diria. Copo na mão, gente se olhando, caras e bocas, um luxo, um glamour, uma coisa, assim… aristocrática. Um ambiente meio sem sentimento, não tinha felicidade naquelas pessoas.
Deve ser uma merda ser pobre, não ter dinheiro pra uns prazeres que a gente cultiva com o tempo, mas ter dinheiro e não ter prazer é pior ainda.