Posts de Fevereiro, 2008

h1

Na calada da madrugada

Fevereiro 8, 2008

Coffee

- Em 2000 fui estudar no Canadá. A turma era multicultural, tinha muitos brazucas, suíços, japoneses, coreanos, e assim por diante. Mas entre tanta gente diferente tinha uma criatura que se sobressaía. Era o Kim.

Kim, um coreano finíssimo. Enorme, excêntrico, usava óculos fundo de garrafa e sempre estava com um sobretudo preto, sóbrio, quase um detetive. Ele tinha as histórias mais malucas, contava as coisas mais engraçadas, conhecia os lugares mais estranhos.

Não dá pra esquecer a segunda-feira em que ele chegou contando das suas andanças pela Church Street, uma experiência marcante para ele.

Toda semana, cada aluno tinha que preparar uma apresentação breve, sobre algo do seu país de origem. Eu já estava entediado de ouvir sobre o carnaval, futebol, samba, sushi, sashimi, os alpes, as montanhas, e assim por diante. Ouvia as apresentações com atenção, claro, e uma xícara de café bem forte, esperando com ansiedade a apresentação do Kim.

Kim era meio exotérico, meio de outro mundo. Ele falava sobre acupuntura, grafologia, quiromancia, sonhos. Ele chegou a ler a mão de todos, inclusive dos céticos. E assustava todo mundo como ele adivinhava coisas concretas sobre o passado de todo mundo. Ele me ensinou o básico da quiromancia e me ajudou a desvendar alguns sonhos que eu tinha.

Essa noite acordei às 3.30. Com um sonho exatamente como aquele que Kim havia descrito. Uma mulher desconhecida, alta, bonita, falando comigo em uma língua que eu não entendia. Ao redor, nada e ao mesmo tempo tudo. Um ruído insuportável…

“Someone trying to establish a connection. A mental connection. A conscious or unconscious state of his mind. Don’t be afraid, I’m not talking about dead people. He is real, but he may not know. And you also may not notice.”

Eu não consigo interpretar, quem seria, aquela hora? Boooooo…

h1

Mente aberta, cuca fresca

Fevereiro 4, 2008

Favela

- Uma das coisas legais de envelhecer é que você vai acumulando experiências e através desse acúmulo vai moldando suas idéias. Uma vez li uma entrevista bem interessante com uma psicóloga que, casada há mais de 30 anos, foi perguntada como era viver com o MESMO homem por tanto tempo. Ela respondeu que durante esses 30 anos, ela mudou, ele mudou. Então não é como se ela tivesse estado todo esse tempo com a mesma pessoa.

Achei isso muito bacana!

Mas pra essa mudança acontecer, eu penso que é preciso estar aberto à mudança, a novas experiências, a um novo olhar para o mundo.

Comecei a entender melhor a família quando perdi alguém que amava muito. Aprendi a ser forte quando vi que era só eu quem poderia resolver meus problemas. Entendi o que é sentir saudades a milhares de kilômetros de distância. Entendi o que é usar drogas ao me relacionar com usuários.Comecei a entender as favelas qunado me hospedei num hotel de costas para uma. Aprendi que sexo, desejo, paixão e amor não necessariamente caminham juntos. E aprendi que a vida reserva (boas) surpresas, quem nunca teve é porque deixou passar.

E eu já quis deixar esse país. Quando deixei, quis ficar. Depois, deixei de novo, quis voltar. Hoje, eu posso deixar. Mas a idéia de que o Brasil é o melhor lugar do mundo, ninguém me tira. Pelo menos por enquanto. ;-)

h1

O dia em que uma calça rasgada quase apareceu num editorial de moda

Fevereiro 4, 2008

Orla

- No ano passado uma amiga veio me visitar aqui no Rio de Janeiro. Era sábado de manhã, um dia de maio enrolarado, mas com temperaturas amenas. Fomos tomar café-da-manhã no Cafeína, onde acabamos ficando quase 2 horas – sentados nos bancos de madeira, comendo, papeando. Na hora de ir embora – e aqui o banco de madeira deixa de ter o papel de coadjuvante – me levanto e ouço um barulho estranho.

Passo a mão na minha bunda e sinto que um pequeno duto de ar se abriu – por causa do banco de madeira (toda vez que vou pra lá, lembro dessa história, e me levanto com TODO o cuidado.

A minha sorte era que minha camiseta tampava o rasgo e não seria um furo que me faria voltar pra casa. É como uma modelo que cai na passarela, levanta e continua andando, como se nada tivesse acontecido.

Minha amiga e eu fomos fazer compras na Visconde de Pirajá e após compras básicas, ela queria um colar. Só fomos encontrá-lo numa barraca improvisada de uma vendedora de rua, simpatissíssima. Minha amiga, fina, combinou roupa colar e pulseiras que ela também acabou comprando.

Tem horas que as pessoas acabam fantasiando situações e só percebem depois que tudo acontece. E eu imagino que naquele dia nós estávamos na Ocean Drive mas tinham esquecido de nos avisar que estávamos na Vieira Souto.

Caminhávamos tranquilamente pela orla quando umas 6 pessoas nos abordaram. Disseram que estavam fazendo um editorial de moda e queriam permissão para nos filmar e fotografar. Confesso, já aconteceu muita coisa estranha enquanto eu andava na rua, mas isso pra mim foi novidade.

Olhei para minha amiga, ela olhou pra mim. E naquela hora eu pensei: bermuda furada. Ela deve ter pensado: colar e pulseira de camelô. Ela disse um sonoro ‘hoje não’. E eu, que estava me segurando para não rir, não consegui dizer nada.

Quem diria, uma bermuda furada e bijuterias de camelô fazendo sucesso em Ipanema.

h1

O trabalho

Fevereiro 3, 2008

Shirts

Existe vida interessante no mundo corporativo?

Entre reuniões intermináveis, planilhas, demandas de última hora (sempre pra ontem), surpresa (nada) agradáveis, notícias bombásticas e dias entediantes, HM acha que sim.

HM repudia auto-ajuda e não acredita nos pseudo-conselhos que os livros, revistas e programas de TV dão às pessoas que querem ser bons profissionais. Prefere apresentar ao mundo seus 10 mandamentos para que o trabalho não seja sinônimo de inferno.

1. Vida pessoal não combina com trabalho. Ninguém precisa saber com quem você dormiu, quais posições praticaram e se você fumou unzinho no final de semana.

2. Puxa saco, a gente percebe de longe. Seu chefe – que é mais esperto que você – obviamente sabe que você está tentando fazer do saco dele o corrimão para o sucesso.

3. No elevador, tem prioridade quem sai.

4. Mulher costuma ser um bicho traiçoeiro. Você só precisa ganhar a confiança delas. Use frases como “Adorei seu corte de cabelo novo”, “Você está linda com esse vestido” ou “Comprei um produto novo pra cabelo que é ótimo”. Ah, e não precisa ficar constrangido de dizer essas coisas. Elas são mais espertas do que você imagina.

5. No mundo dos negócios, duas coisas andam juntas. Talento e QI. QI funciona sozinho às vezes, mas depois de um tempo sente falta do talento. E falando em QI… Sim, você precisa dar atenção ao amigo chato que conhece todo mundo no mercado.

6. Qualidade de vida existe. Mas não é a ginástica laboral que vai trazê-la – aliás, ginástica laboral é o maior mico que inventaram. Fuja! Qualidade de vida é: deixar claro que você quer ser avaliado pelo produto final do seu trabalho, e não pelo número de horas trabalhadas. Assim, ao levantar da cadeira às 4 horas da tarde e dizer tchau pra todo mundo, você tem que dizer: “Hoje fui tão produtivo, que já terminei tudo! Tchau!”.

7. O ditado “você é insubstituível” é a mais pura verdade, mas o que você esquece é que o seu vizinho também é, e se você sair da empresa, certamente arrumará lugar em outra.

8. A secretária do seu chefe é tão importante quanto ele. Pense nisso.

9. Você já pegou aquele estagiário do décimo andar? Viu aquele gerente casado numa boate gls? Bico calado. Poderia ser com você.

10. Tenha estilo, seja elegante.

h1

Sobre o tempo

Fevereiro 3, 2008

Watch

6.30 am e ele acorda. Sem tempo para apertar o snooze. Como diria Tio Patinhas: Tempo é Dinheiro.

Tempo se gasta? Tempo se perde? Tempo se ganha? Sem tempo para frescura. Tempo é passado, presente e futuro. Hora de pensar no presente – e aqui começa a saga do HM.

Parfum

Escova de dentes, pasta de dentes, sabonete, barbeador, creme pós-barba, perfume. O ritual é antigo, mas os ventos da metrossexualidade trouxeram incrementos antes inimagináveis ao universo do asseio pessoal. Creme pós-barba anti-sinais e anti-brilho, máscara, creme anti-olheira com extrato de pepino, loção matificante, esfoliante, reparador epidérmico, condicionador com silicone, polpa hidratante.

Nada de homens fedidos, mal arrumados e maltrapilhos.

Por uma sociedade mais cheirosa.