Posts de Fevereiro, 2008

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Omissão é uma forma de mentira?

Fevereiro 27, 2008

Dali

- Algumas semanas atrás um amigo afirmou que “omissão é uma forma de mentira”. Isso ficou na minha cabeça por vários dias, refleti sobre a afirmação, e o assunto até acabou virando tema de um almoço com um outro amigo.

Andei pensando muito nisso, e cheguei à conclusão de que a omissão preserva ou ajuda a preservar a harmonia dos relacionamentos, sejam quais forem.

Como seriam as relações humanas se as pessoas falassem tudo, absolutamente TUDO o que pensam? Subordinados reclamando de chefes, mulheres criticando vestidos e penteados das amigas em festas, a prima que ganhou quilinhos a mais, verdades emergindo em almoços em família, desavenças do passado em aniversários de 10 anos de formatura, o almoço na casa da sogra que não estava tão saboroso, a amiga casada por quem se apaixonou perdidamente…

A omissão salva as relações humanas do caos da sinceridade.

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Multissexual

Fevereiro 26, 2008

Wolverine

- Pessoas adoram rótulos, desde guiness books a apelidos que pegam na infância e duram anos. Cabelo, duda, leleca.

Quando eu era criança, era fácil saber o que era heterossexual. E era meio difícil e confuso saber bem ao certo o que era ser gay, homossexual, bicha, viado. A gente vai vivendo, tendo experiências, e o aprendizado traz certezas e às vezes dúvidas até.

Hoje eu sei muito bem o que é ser homossexual, mas não sei mais o que é ser heterossexual. Dizem que todo homem já teve vontade ou curiosidade de sentir prazer lá naquele lugar. A grande maioria dos caras com quem tive alguma coisa ou tinham namorada, ou eram casados, sem filhos ou com, ou tinham uma vida dupla.

Homossexual, metrossexual, bissexual, curioso, pseudo-hétero, heterossexual, pansexual, multissexual… Alguém explica?

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Glam

Fevereiro 24, 2008

Glam

Alguns anos atrás, nem protetor solar era algo indispensável para um homem quando saía de casa. Hoje a nécessaire ficou maior do que a maleta do notebook, já que os eletro-portáteis têm ficado cada vez menores e as variedades cosméticas, mais numerosas.

O Homem Moderno hoje consome mais cremes para o rosto e corpo do que carne vermelha.

Ao acordar, sabonete anti acne, pós barba anti sinais e anti brilho, hidratante matificante para equilibrar o PH da pele, creme anti-olheira, bruma hidratante para refrescar o corpo depois do banho. Durante o dia, hidratante para as mãos, lâminas anti brilho. À noite, máscara de limpeza, cremes, loções, reparadores, hidratantes… não tem fim.

É o Império da Vaidade. E não tem desculpa pra não parecer bonito, cheiroso, gostoso. Mesmo que a natureza não tenha colaborado muito com você.

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Sindicalizados: os tipos

Fevereiro 23, 2008

Children

O mundo moderno viu o aparecimento dos sindicalizados. Na TV, na academia, na escola, no shopping, é cada vez mais comum encontrar sindicalizados. Há tipos e tipos de sindicalizados e o Homem Moderno ajuda a identificar alguns deles.

A Barbie: adoram açougues (leia o beabá do sindicato!), e passam calores. São enormes, chegam ao açougue usando camisetas apertadas (de preferência Armani Exchange), calça jeans apertada e cinto cintilante, mas logo sentem calor e tiram a camiseta. São fãs de depilação.

A Intelectualizada: inimiga número 1 das Barbies. Acha que academia é perda de tempo, a-do-ram filmes europeus ou são fãs de Woodie Allen, lêem Nietszche, odeiam BBB. 

A Rica: chega ao açougue de carro conversível (de preferência preto), não se mistura (a não ser com outras ricas), freqüentam os lugares mais cool da cidade mas acham tudo uó. Tem um apê em Manhattan onde leva os amigos nas férias e acha que pode tudo.

A Poc-poc: vai de van pro açougue, faz luzes no cabelo, usa canga na praia, a-do-ra bijouterias, a-do-ra acessórios, Madonna wanna be, a-do-ra roupas coloridas e bate ponto na parada. E acha que está a-ba-fan-do!

A Descolada: no açougue, mesmo que à noite, está de óculos escuros e com um pirulito na boca. Mais conhecida como “descolada da realidade”.

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O primeiro dia do futuro

Fevereiro 20, 2008

BsAs

- Parece que foi ontem, aos 16 deixava minha cidade natal, aos abraços de meu irmão mais novo, ele enxugando meu choro, minha tristeza e minha insegurança de ir morar em uma cidade muito maior.

No ano seguinte, deixava essa cidade e minha família para buscar sonhos que eu sempre quis e uma independência que eu não queria naquele momento.

Anos depois, botei minhas coisas no meu carro e segui pra maior cidade deste país, sem saber ao certo o que ia acontecer, sem planejar muita coisa, pra “conquistar o mundo”. Fiz amigos, conheci lugares, virei habitué, notívago, entrei pro sindicato, fiz loucuras, conheci gente maluca, viajei (até demais), colecionei histórias que ficarão para sempre aqui comigo.

Acabei descobrindo que os sonhos, às vezes, não precisam estar distantes, na categoria “sonhos impossíveis” e o futuro não precisa ser temido e também não é preciso um grande acontecimento para traduzir em grandes mudanças. Futuro é sinônimo de esperança.

A grande cidade ficou pra trás, e hoje, numa grande e maravilhosa cidade eu faço meu futuro cada dia que passa. Nada como um dia após o outro.

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Caindo no amor?!?

Fevereiro 18, 2008

Toronto

Apaixonar em inglês é “to fall in love”. Numa tradução literal, isso seria algo como ’cair no amor’. Em francês, “tomber amoureux”, onde “tomber” também é ‘cair’.

Em português não tem nada de cair no amor, seja cair de cabeça, de barriga, ou numa piscina sem água. É simplesmente “apaixonar”, “se apaixonar”.

Então quer dizer que nos países onde se fala o português, a paixão é menos dolorosa do que naqueles onde se fala inglês ou francês? Não sei, acho que é um sentimento universal, mas a conotação do “cair” cai como uma luva.

Tanta gente que se apaixona e fica cega, ou vê tudo de forma distorcida. Faz coisas que ela não faria em condições normais. Fala coisas de deixar qualquer um constrangido. Pensa coisas que a mais fértil das mentes não conseguiria pensar. Sintomas comuns, e qualquer semelhança com narcóticos, álcool em excesso, dopping, não é mera coincidência. Paixão pode ser uma doença.

E faz mal ao corpo humano. A caixa torácica dói, dói muito, como se algo tivesse apertando o peito. As pálpebras tremem, lágrimas caem, a fome e o sono desaparecem, a atenção vai pro espaço, a cabeça dói. Sintomas terríveis!

Mas alguma coisa tem que ter de bom, já que o termo é visto de maneira tão romântica, tão fru-fru. O segredo está, adivinhem, no ’cair’. Tem que cair junto.

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Bonita e gostosa

Fevereiro 16, 2008

Woman

- Dizem que mulher gosta de dinheiro, e quem gosta de homem mesmo, é homem…

Dizem também que o culto ao corpo, a febre das academias, produtos diet, suplementos, anorexia, bulimia, saradisse, tudo isso foi invenção do mundo capitalista ocidental. Não tenho muita certeza disso, ja que o mundo clássico já cultuava os corpos masculinos. Deixemos essa discussão para uma mesa de bar.

O fato é que se você for gordinho, baixinho ou careca, vai ter muito mais dificuldade do que a média das bees do sindicato (veja dicionário do HM!) para arrumar um peguéti.

Eu nunca consegui pegar gente feia. E também nunca consegui ficar com alguém que, por mais que os amigos achassem a cereja do bolo, não me apetecia. Talvez porque o conteúdo talvez seja tão importante quanto a aparência e por mais que a aparência conte muito (querendo ou não, é a primeira coisa que notamos), ninguém aguenta ficar muito tempo com gente desinteressante (parodiando uma expressão de um colega de blog, “aquele tipo de pessoa que dá a sensação de segurar o xixi”).

Sou um tanto enjoado com relação a isso, confesso. É como andar pela praia de Ipanema e falar, “Passo”, “Tolero”, ”Passo”, “Never”, “Passo”, “Caso”. O primeiro filtro. O segundo é mais difícil, e geralmente depois de 5 minutos você dá uma de Donald Trump e demite a torcida do Flamengo.

E por fim, quando você realmente encontra uma pessoa interessante, que valha a pena, uma companhia agradável, inteligente, perspicaz, bem humorada, com gostos parecidos com os seus, essa pessoa acaba se tornando a sua ameega.

Acontece, bee.

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Scottish kiss

Fevereiro 15, 2008

Pipe

- Eu estava em Edimburgo, Escócia, naquela primavera chuvosa. Entrei num Starbucks – adoro cookies de macadâmia com café gelado e muito creme. Subi as escadas e sentei numa poltrona branca. Guia de viagem na mão, café na goela.

A chuva lá fora não parava e muita gente tinha entrado. Eis que entra um Scottish guy legítimo, jeans bem justo, moletom com capuz, ares joviais. Me pergunta se eu sou turista. Pergunta óbvia, já que meu guia de viagem denunciava. Só para puxar papo, como sempre. Papo vai, papo vem. Viagens, trabalho, impressões sobre a cidade, futuro. E a chuva já tinha parado sem que notássemos.

Poucas pessoas lá no andar de cima, até que só restaram eu e meu novo amigo. De repente, chega perto de mim, e me pergunta o que ia fazer. Eu digo que ia pegar mais um café e depois seguir meu caminho. Retribuí a pergunta por educação, já que sua resposta não me interessava. Ele me responde com a maior naturalidade possível: agora, neste momento, eu queria mesmo um beijo.

Ora, na hora não entendi, ou fiz que não entendi, ou meu nervosismo não queria mesmo entender ou não queria dar prosseguimento àquela aventura. Só fui entender quando ele se aproximou ainda mais, aí não teve jeito. Scottish kiss, then Scottish bed. Nos despedimos, falei que no dia seguinte ia pra Glasgow e que provavelmente nunca mais nos veríamos.

No dia seguinte, de manhãzinha, na gare, Scottish kiss, o último beijo.

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É do sindicato?

Fevereiro 12, 2008

Guards

Depois de ter apresentado um pequeno vocabulário do sindicato, o HM ensina aos leitores do blog como identificar um membro do sindicato.

Na academia

Ele malha ouvindo música, e de repente faz falsetes ou dá uma reboladinha? É do sindicato! Ele faz questão de limpar os aparelhos antes de sentar? É do sindicato! Ele malha glúteos em mais de um aparelho? É do sindicato!

No vestiario

Ele tem uma necessaire maior do que a da sua mãe? É do sindicato! Ele passa hidratante no cotovelo? É do sindicato! Ele está com as axilas depiladas? É do sindicato!

No trabalho

Ele tem várias amigas no trabalho? É do sindicato! Ele dá conselhos sentimentais ou de moda ou de cosméticos a essas amigas? É do sindicato! Ele sai para o corredor para atender o celular? É do sindicato! Ele tem na gaveta hidratante para as mãos? É do sindicato!

No restaurante

Ele está acompanhado de outro homem bonito, elegante e solteiro? É do sindicato! Ele está acompanhado de várias mulheres, sendo que nenhuma tem vínculo amoroso ou sexual com ele, e eles estão rindo freneticamente? É do sindicato! Ele está acompanhado de vários homens, todos rindo freneticamente e pelo menos um usa uma baby look? É do sindicato!

No shopping

Ele está desacompanhado, carregando várias sacolas? É do sindicato! Ele esá acompanhado de uma mulher, entra na loja com ela e dá palpite sobre o caimento e a cor do vestido? É do sindicato!

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O Beabá do Sindicato

Fevereiro 9, 2008

Girona

Os índios da tribo Mulututu se comunicam com sinais de fumaça. Espanhóis dizem ‘Buenos Días’, guatemaltecos preferem dizer ‘Buen Día’. Gaúchos comem cacetinhos e negrinhos. Curitibanos colocam vina no cacetinho gaúcho. Alguns baianos gostam de piriguetes. Cada grupo de pessoas tem a sua forma peculiar de se comunicar. O HM faz parte de um grupo, o Sindicato, que também tem um beabá próprio.

O HM inaugura aqui o dicionário do sindicato.

1. Sindicato. É a denominação do grupo do qual o HM faz parte. Não é uma religião, partido político, banda, bloco de carnaval ou ONG. É um estilo de vida moderno.

2. Bee. Não, nada de abelha. É um membro do sindicato. Também pode ser uma forma carinhosa de chamar os amigos no msn. Quanto mais letras “e”, maior a amizade.

 3. Ter potencial. Você vai a uma boate e encontra um rapaz vestindo pólo dentro da calça jeans, cinto, sapato e um par de meias com desenhos do mickey. Esse não tem potencial. Você vai à academia, e no vestiário tem um rapaz passando hidratante no cotovelo. Esse tem potencial.

4. Egípcia. Sabe aquela bee que não te cumprimenta quando vê na rua, não responde quando é perguntada, não atende quando você liga? Ela tá fazendo a egípcia pra você.

5. Açougue. Um lugar onde algumas bees adoram ir. Principalmente aquelas que tomam bomba e adoram tirar a camisa. Não, não é praia. É um ambiente fechado, que funciona à noite, onde as pessoas dançam.

6. Pipeline. Já ouviu a expressão “A fila anda”? Pois bem, o pipeline é a fila.

7. Prospect. Uma maneira moderna e elegante de dizer “pretê”.