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Passeio no shopping

Junho 25, 2008

Um mercado consumidor só existe com uma demanda. Por exemplo, não se não há uma demanda pra descascadores de banana automáticos que falam e apitam, não há mercado para isso, e o produto não vende.

O mesmo se aplica a pessoas. Não adianta aparecer uma banana split com muito caramelo quando o que se quer é somente uma banana madura.

Um produto mal apresentado, ou com prazo de validade vencido, desinteressante ou demodê, vai apodrecer nas prateleiras. E mesmo aqueles que têm uma embalagem bonita, mas que chegando em casa não funcionam de jeito nenhum, não acabam fazendo sucesso por muito tempo.

E de maneira análoga, um produto raro - um fabergé, por exemplo - bem cuidado, bem guardado, é mais atraente e pode se tornar um sonho de consumo.

Compras por impulso acontecem, mas nem sempre aquilo que se compra é o que se esperava.

O mundo dos negócios tem - definitivamente - muito o que ensinar às pessoas.

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V.I.P.

Junho 18, 2008

Afinal, o que é ser V.I.P.? Ser fidelidade vermelho? Ser smiles gold? Ter um visa infinite? Pegar camarote em shows? Entrar sem pagar nas baladas? Ser amigo do dono? Furar fila? Viajar de classe executiva? Deixar carro com manobrista do shopping? Conhecer o vereador?

Se V.I.P. significa ter um sobrenome composto (daqueles que não se combinam), talvez a empregada da vizinha seja V.I.P. - ela é uma autêntica Pinheiro Meirelles.

Se V.I.P. significa ter um carro grande, preto, insulfilm no máximo, talvez o dono da funerária seja V.I.P.

Se V.I.P. significa furar fila, bom, então falta de educação mudou de endereço.

Tem gente que bebe antes de sair de casa pra economizar na balada e mesmo assim tem celular transadíssimo e calça da diesel - e, claro, entra sem pagar na balada porque conhece o promoter.

Tem gente que tem um carro poderoso, tem grana saindo pelos poros, mas chega em um restaurante, fala alto (e errado), destrata o garçon e ainda usa a clássica (e nada moderna) “você sabe com quem está falando?”.

E todo mundo se acha V.I.P.

Mas esqueceram de dizer que ser V.I.P. é demodê. Agora a onda é ser moderno.

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Flores com espinhos

Junho 14, 2008

Existe aquela máxima de que todos os homens são iguais. E também aquela outra que diz que algumas flores - as mais belas, as mais atraentes - têm espinhos. Alguns homens têm espinhos. E, como num jogo de palavras, como todos os homens são iguais, estes mesmos (todos) têm espinhos.

Moças de família querem casar com o homem ideal, que as protejam, que cuidem, que as façam mulher. Alguns sindicalizados também querem o mesmo, mas reclamam do mercado. Os que não querem coisa séria, justificam dizendo que o mercado não tá pra peixe e que é melhor só curtir do que se desiludir.

Pessoas são complicadas mesmo, uma hora querem uma coisa, outra hora querem outra. E como flores, são lindas e encantadoras, cheirosas e graciosas, mas algumas têm espinhos e uma hora também murcham se não cuidadas.

Hora de regar as plantas.

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Intimidade roubada

Abril 25, 2008

- Sempre considerei que fazer compras no supermercado é uma coisa de extrema intimidade, assim como revirar o lixo, espiar pela porta da fechadura.

Afinal, compramos coisas que consumimos no dia-a-dia, na solitude do lar, desde a marca do papel higiênico que usamos até o que assaltamos na geladeira no meio da madrugada.

Estranhamente, ultimamente tenho ido fazer compras no supermercado acompanhado, por pessoas diferentes. Algumas descobertas incríveis, outras cômicas - gente que compra lenços úmidos Pampers para limpar lá em baixo, gente que come papinha de nenê, gente que tem metade da geladeira de red bull.

Mas confesso, aflora um sentimento estranho de estar abrindo as portas de minha intimidade.

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A Vivida

Abril 16, 2008

- No sindicato, existe um tipo bem característico que tem intrigado (ou pelo menos suscitado inúmeras discussões e reflexões) meus amigos três-ponto-zero ou três-ponto-zero-to-be).

É a bee vivida, aquela que já desfilou e rebolou durante meio século e que continua a frequentar açougues (baladas, para os menos familiarizados com o dicionário do sindicato - leia post!).

A bee usa camiseta apertada e mesmo assim não tem vegonha de que apareça a barriguinha saliente. Vai sozinha ao açougue e fica a apreciar as bees mais jovens, com olhares desconcertantes.

Meus amigos dizem que não querem ser assim quando crescerem, querem estar bem casadas e bem acompanhadas, no conforto do lar, vendo DVD no sofá e fazendo muito sexo com a mesma bee.

Mas será que essa história casar, juntar, whatever seja, existe mesmo?

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P.E.I.

Abril 8, 2008

 

Aspirina

- Hoje as pessoas saem de casa com seus iphones, que têm câmera, celular, internet, calculadora, etc etc. E eu lembro muito bem que, quando criança, o crème de la crème dos equipamentos eletrônicos acessíveis aos pobres mortais era um desktop de tela negra e letras verdes.

Tinha um joguinho - na verdade, nem era bem um jogo - que me hipnotizava. Era o BioRitmo. Você entrava com o nome completo e com a data de nascimento (obviamente, o nome não fazia diferenca no output - testei nomes diferentes com a mesma data de nascimento e o resultado era o mesmo), e apareciam 3 curvas, tipo dente de jacaré.

Cada curva tinha uma letra: P, E e I. P de Physical, E de Emotional e I de Intellectual, e elas oscilavam de acordo com o passar dos dias.

Tinha dias em que o P estava em alta, E e I estavam em baixa. Outros, I estava em alta, P meia-boca e E em baixa. Criança que era, achava que Is em alta dariam sorte na prova, Ps em alta, sorte nos esportes, Es em alta seriam sinais de felicidade. Claro que não fazia diferença alguma, porque para uma criança os dias são iguais.

Com o advento dos PCs, MACs da vida, nunca mais vi o tal do BioRitmo, mas como os solstícios e equinócios, acabo sentindo quando meus Ps, Es e Is estão em alta…

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Solstícios e equinócios

Abril 2, 2008

Cwb

Solstícios acontecem 2 vezes ao ano, assim como os equinócios. Tanto solstícios quanto equinócios marcam a chegada das estações do ano.

E assim como as estações, os animais também seus solstícios e equinócios. Gatos e cachorros passam épocas no cio, sedentos para a procriação.

Com o homem não é diferente. Tem épocas em que os ventos são mais quentes; o céu, mais brilhante; os cheiros, mais salientes. E como tudo que acontece em excesso, faz mal.

Ufa, outono chegou.

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Criando raízes

Março 26, 2008

Rio

- Quando criança, já quis ser importante. Mas nada de jogador de futebol, cantor ou ator. Queria conquistar o mundo, ser presidente da república ou, quem dera, ir pra lua como astronauta.

Passam se os anos, e os bissextos, e o Brasil já mandou o seu astronauta pro espaço, e a política perdeu seu charme.

Deixei pra trás o colo e a cozinha com cheiro de bolo de fubá da mamãe e fui conquistar a liberdade de ir, estar, conhecer, ficar e ir embora. Milhas acumuladas, cheiros e lugares diferentes, gentes e costumes, coisas das quais é difícil esquecer.

Mas chega uma hora, isso cansa. A saudade do bonsai que esquecera de regar, dos amigos que estão se divertindo tanto, indo aos seus lugares prediletos, comendo seus pratos favoritos, curtindo a balada do momento, andando naquela rua que fica florida quando o outono chega.

Você quer raízes, mas só tem asas. Hora de criar raízes.

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Mr. Scenic

Março 18, 2008

Rio

- Todo dezembro, no Rio de Janeiro, plantam uma árvore grande, pretensiosa e por vezes cafona, bem no meio da Lagoa Rodrigo de Freitas. Pra alegria daqueles que acreditam que o espírito natalino traz paz e amor, pra felicidade dos ambulantes e pra tristeza dos motorizados.

Num desses dezembros, domingo, 10 da noite, resolvemos - eu e um amigo - ir jantar na Gávea. Trânsito parado, caótico, carros disputando centímetros. Eis que um Renault Scenic, ao fazer a conversão, encosta - de leve - no meu andante. Paramos num posto, desço do carro e vejo um pequeno amasso.

O dono do Scenic, educadamente interessante, deixa a esposa dentro do carro e vem pedir desculpas, e deixa o celular, para depois resolvermos. Obviamente, comentei com o amigo sindicalizado o quão “eu aceito” era o sujeito, e também me lembro dizer que o amassado era pouco significante, que não devemos nos apegar a coisas materiais (blá blá blá) e que provavelmente não ia nem ligar para o sujeito.

Passaram alguns dias e o número estava lá, gravado no meu celular, sem sequer um nome (somente um “Scenic”, para lembrar). Moderno, liguei para dizer que não era para se preocupar e que estava tudo certo, não ia mandar consertar.

Mr. Scenic achou muito educado, e disse que pelo menos a cerveja ficaria por conta dele. “Cerveja não tomo, mas caipirinha de saquê, com morango e limão sempre vai bem.” Mr. Scenic sabia muito bem como fazer um amasso.

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Ressaca moral

Março 17, 2008

Rio

Sexo ruim dá ressaca moral no dia seguinte. Sexo muito bom com uma pessoa fantástica - mas que você sabe que o caso não vai pra frente - também dá ressaca moral. Dizer certas coisas e ouvir certas coisas também dá ressaca moral.

Nesse quesito, existem 2 tipos de sindicalizados: aquele que não tem ressaca moral e aquele que tem. É impressionante como a cabeça das pessoas funciona diferente.

A cura pra uma ressaca alcoólica geralmente é simples: água, remédio, e de repente alguns dias sem beber. Só que pra ressaca moral a cura talvez não seja tão fácil assim. Abstinência? Se jogar? Procurar distração? Dependendo da solução, só piora.